5 de setembro de 2014

Expectativas


Há alguns dias estava toda arrumada para curtir a noite de uma sexta-feira com meu marido e alguns amigos. O clima estava perfeito: amigos queridos, comida boa e bebidas. Muita gente conversando, música ao fundo e a noite inteira pela frente. Mas, no meio disso tudo eu me pego em um canto solitária.

Acho que quem me visse por fora, com aquele semblante sério e ao mesmo tempo alheio a festa, iria pensar que eu estava inconsolável. Aos críticos de plantão, aposto que aquele momento em especifico devia soar como uma afronta: “Como ela pode estar assim? Tem um emprego, um bom marido e uma vida boa. O que ela pode querer mais? ”

E se eu pudesse rebater essa crítica silenciosa com uma boa resposta eu diria apenas que eu ainda quero expectativas. Sim, eu quero mais! Não quero ser forçada a ser sugada por essa rotina maçante. Quero correr do tédio de ver os anos passarem e deixar os meus sonhos mais profundos morrerem.

Já dizia Steve Jobs “cada sonho que você deixa para traz é um futuro que deixa de existir”. Não quero ser condescendente de uma vida sonhada e nunca realizada. A cada novo dia eu ando exigindo um novo entusiasmo.

Desejo uma vida cheia de primeiras vezes. Quero de novo o frio na barriga de um novo desafio. Cobiço uma nova viagem, uma nova cidade, um novo emprego e novos amigos. Carrego comigo a sede de começar algo novo e desconhecido. Quem sabe uma nova carreira?

Será que é pecado querer sentir o novo todo dia? Ainda carrego primeiras vezes que nunca tentei: pular de paraquedas, visitar um novo continente, publicar um livro, ter um filho, comer comidas diferentes. Anseio desfazer essas virgindades e quero ter a expectativas de fazer tudo isso antes de morrer.

Quero a não obrigação. Não vou ser a melhor esposa do mundo, a melhor profissional, a melhor mãe... não quero ser melhor em nada. Desejo poder errar e ter o apoio daqueles que me amam. Quero amores incondicionais.

Quero aprender a me importar menos. Seria tão bom não ligar para a opinião das pessoas ao meu redor, me desligar das minhas emoções... Queria me permitir mais uma vida sem julgamentos.

Pretendo um dia sem horas marcadas, sem explicação, de conversa com estranhos e saídas da zona de conforto. Quero me divertir com tudo aquilo que ainda nem sei que existe e quero essas possibilidades abertas pra mim. Quero ser menos refém das minhas amarras sociais e mais livre em horas.

Quero que você não resuma minha vida. E se um dia me encontrar e tentar julgar se eu posso ou não querer mais, saiba que eu posso querer mais sim. E que não tenho vergonha de ainda ter expectativas.

Desejo, por fim, que eu e você nunca aceitemos o conformismo.

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