10 de março de 2015

Cartas efêmeras #1 - Faz (p)arte

Belo Horizonte, 10 de Março de 2015

Queridos amigos,

Eu sempre tive o hábito de trocar cartas. Na realidade passei quase toda minha adolescência fazendo isso e conseguia manter os amigos de perto, de longe, os antigos e os novos sempre inteirados sobre a minha vida e eu sobre as deles da melhor forma possível: nós trocávamos cartas escritas a mão, com o cheiro e a personalidade de cada um estampados naqueles papéis. Como era bom receber aquelas cartas e saber que ela tinha sido tocada por aquela pessoa, que aquele papel tinha sido pensado e escrito pra mim.

Ando nostálgica dos amigos, das cartas e da vida. Estou cansada do excesso de informação, das redes sociais e da facilidade em que os relacionamentos têm se tornado frios. É muito fácil escrever uma mensagem pelo whatsapp ou até mesmo um e-mail. A informação chega rápida, fresquinha e dá uma sensação de que estamos sempre em contato com as pessoas.

Mas o problema é que eu nunca volto aos meus e-mails ou mensagens antigas para relembrar dos meus amigos, mas sempre volto para a minha caixa de cartas para me animar ou até mesmo para matar as saudades. E no meio dessa correria que a gente chama de vida eu resolvi voltar a escrever cartas, para os meus amigos e aqui nesse espaço.

Vou marcar estes textos como Cartas Efêmeras. O motivo? Serão cartas para confessar meus medos, projetos e sentimentos. A intenção é poder compartilhar o que a vida tem para oferecer no combo completo: risos, choros, frustrações, conquistas e loucuras. Quero dividir tudo aquilo que estou vivendo naquele momento, mas momentos são, assim como tudo na vida, efêmeros. Por isso dei esse nome. Mas na mesma proporção que quero escrever, também quero ler sobre vocês também, vamos fazer uma troca de cartas/sentimentos? Me acompanham nessa?

E hoje, logo na minha primeira carta eu quero desabafar um pouquinho. Pode? É que a vida anda meio estranha do lado de cá da tela. Sabe quando tudo fica de pernas pro ar, tudo parece desordenado a sua volta, mas no fundo você sabe que o que está desorganizado está de dentro de você?

Eu tinha me proposto um desafio: escrever uma ou duas crônicas por semana para publicar, mas está difícil. Escrever pra mim é muito gratificante, é como consigo enxergar a vida e uso a escrita para tentar entender as situações ou sentimentos que estou vivendo. Tudo aquilo que mexe comigo tem que passar pelas palavras de um texto para ser internalizado da melhor maneira possível, porém está sendo impossível. Estou desorganizada demais para poder escrever um parágrafo coerente, estou confusa demais para poder expor o que estou sentindo. Quando fico enrolada desta forma eu tomo chá de sumiço e peço desculpas pelo tempo que fico sem vir aqui.

Quando a vida fica meio estranha assim, uma das minhas válvulas de escape é fazer alguma atividade artística. Como já dizia Nietzsche: “A arte existe para que a verdade/realidade não nos destrua”, e é por isso que comecei a escrever, a gostar de cantar, a aprender a fazer crochê, a bordar, a desenhar, a cozinhar e agora a pintar. Faço isso por que é prazeroso, me tira da rotina frenética e me ajuda a reconectar comigo mesma. Sempre que tenho a sensação que tudo está desordenado, é hora de parar, respirar e colocar a vida nos eixos. A nova aventura tem sido as tintas aquarelas e se eu puder dar um conselho, então vai esse: é muito bom pintar, sujar e criar. A vida tem ficado mais tranquila e de quebra mais colorida.

Um grande abraço, daqueles abraços de urso que traz aconchego para quem o recebe.

Nanda 

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2 comentários:

  1. Olha, sempre gostei de cartas, ou pelo o menos da idéia... pois nunca troquei cartas de papel com ninguém. Acho que não foi algo da minha geração mais. Mas já parei algumas vezes pra ler emails antigos de gente que no momento eu não tinha como ver. Creio que a nostalgia não é menor.

    Agora, tenho muito apego a caligrafia, ao papel, à expressão do traço. Tenho guardado alguns recados bobos, só por causa do capricho das pessoas.

    Guarde mais tempo pra si, se for possível. Os textos virão, pode ficar tranquila quanto a isso!

    Abraço

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    Respostas
    1. Ei Tobias, acho que eu sou das antigas, faço parte das pessoas que fazem questão de manter uma agenda física e por mais que eu tenha o celular, também mantenho uma agenda de telefones. Se quiser trocar cartas comigo será um prazer, me chama inbox no Facebook que te passo o endereço. Obrigada pelo apoio, espero que muitos textos ainda venham e com eles a leveza que sinto após escrever. Abraços

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