26 de abril de 2015

Cartas Efêmeras #2 – 30 dias



Belo Horizonte, 26 de Abril de 2015

Queridos amigos,

Acabo de voltar de um mês de férias. No pequeno espaço de 30 dias vi minha vida avançar mais do que em todos os outros onze meses. Não, esses 30 dias não foram mágicos, mas foram necessários para que ficando longe de uma situação que me consumia, eu conseguisse enxergar verdadeiramente o real problema de ter me deixado ficar tão triste.

Os outros onze meses me trouxeram muita angústia, muita inquietação e pela primeira vez na vida vivi um bloqueio. Não foi só um bloqueio criativo, mas também um bloqueio de autoestima. Comecei a achar que tudo aquilo que eu produzia estava sempre ruim, achava que por mais que eu tentasse não conseguiria ser boa o bastante para o mundo.

Até pensei em acabar com o blog. Não tinha mais sobre o que escrever, as palavras não vinham, então por que motivo deveria deixar online pequenos textos aleatórios publicados entre espaços de tempos tão grandes?

Mas nesses últimos 30 dias eu finalmente percebi que o que estava me deixando triste não estava dentro de mim e sim fora. Acontece que nos onze meses nada estava funcionando – problemas no trabalho, problemas com a família, a despedida de uma amiga querida que me faz muita falta no meu dia a dia, a perda da confiança naqueles que um dia chamei de amigos.

Foram nesses onze meses que eu vivi um período escuro, entrei em uma rede de insatisfação tão grande que não conseguia sair. Foi também nessa época que eu aprendi que qualquer esforço é válido e o mais importante é buscar se movimentar. Talvez todas as minhas tentativas de sair da escuridão nessa época tenham dado errado porque eu não sabia onde procurar o problema, muito menos sabia como fazer parar.

Então, nesses 30 dias eu percebi o quanto é importante enfrentar nossos questionamentos e buscar entender o que realmente está acontecendo. Foram esses dias que me deram a chance de canalizar isso tudo e me fazer voltar a ver uma luz no fim do túnel.

Aprendi que sempre a vida vai te pregar uma peça e que ciclos se fecham para novos começarem. Pessoas que a gente ama também podem nos decepcionar e ás vezes algumas se vão, projetos de vida dão errado e não há problema nenhum nisso. Demorei para aceitar que tudo na vida tem um fim.

Mas há também quem fica, que vai sempre fazer parte. Há quem ama de verdade e nunca irá tão longe, mesmo estando distante fisicamente. É bom saber também que se perder pela vida nos faz voltar o foco para aquilo que realmente importa. Errar sempre vai fazer parte e sofrer também.

Um abraço saudoso, cheio de esperança de que as palavras nunca mais me deixem.

Nanda

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