19 de agosto de 2015

Cartas Efêmeras #4 - 30


"I don't know where I'm going from here, but I promise it won't be boring".  David Bowie

Belo Horizonte, 19 de agosto de 2015.

Queridos amigos,

E os 30 finalmente chegaram. O dia lá fora começou como todos os outros, mas aqui dentro o sentimento é de alegria, reflexão e agradecimento. Andei pensando sobre os últimos 365 dias e cheguei a seguinte conclusão:

Aos 29, ri muito, mas aos 30 quero rir muito mais. Aos poucos tenho aprendido que a vida tem que ser vivida mais leve. Então tenho feito escolhas diferentes: Por perto somente quem me faz bem, me desfiz de roupas que não usava há anos, nas estantes ficaram somente os livros que trazem significados para mim, no quadro de recados apenas frases que me lembrem aquilo que me faz bem.

Aos 29 eu aprendi a dizer não e aos 30 eu quero dizer mais sim. Dizer não deixa a vida mais leve, mas o sim também pode trazer experiências inesquecíveis. Sempre que a oportunidade aparecer quero dizer mais sim aos encontros com os amigos, aos domingos preguiçosos vendo seriados, as viagens inesperadas, aos encontros de última hora, as mudanças que a vida anda trazendo.

Aos 29 eu sofri por ter medo de ser julgada e aos 30 quero me ver livre para ser, sentir e viver como acredito. Nas últimas semanas eu consegui entender que nunca vou conseguir agradar a todo mundo. Aprendi a me entender e a abraçar os meus projetos malucos que me fazem tão bem, aprendi também que gosto de mudar constantemente, pois não consigo ter aquela mesma “velha opinião formada sobre tudo”.

Aos 29 exerci de várias formas o meu lado artístico: pintei com aquarela, escrevi parte do meu livro, criei crônicas, comecei aulas de violão e agora me pego me divertindo gravando, editando e publicando meus vídeos. Finalmente entendi que só me sinto bem quando estou criando algo, espero que os 30 me dê muitas oportunidades de criar muito mais.

Aos 29 eu descobri que minhas palavras chegam a muitas pessoas, que através dos meus textos ajudo muita gente e que as vezes elas até se emocionam comigo. Descobrir isso me fez tão bem, então desejo que aos 30 eu consiga produzir cada vez mais textos para os outros e para mim.

Aos 29 fiquei mais quieta que nos anos anteriores. Aprendi a usar a solidão e o silêncio ao meu favor, a me dar tempo para observar, sentir e deixar ir. Foi nos meus momentos mais escuros que consegui fortalecer alguns vínculos que estavam frágeis, mas para os 30 quero muito barulho, luz e presenças.

Aos 29 aprendi que não posso ficar parada e aos 30 a palavra de ordem é movimento. Quanto mais parada fico, pior fico comigo mesma. Para realizar meus sonhos preciso do movimento constante, preciso me divertir fazendo o que gosto e quando o não faço, me sinto incompleta, insegura e indecisa.

Aos 29 fiquei muito ansiosa, mas aprendi também que é preciso dar tempo para que as coisas fiquem prontas, que por mais que se planeje bem alguns planos e projetos nunca sairão perfeitos. E agora aos 30 levo comigo a necessidade de aprender a abraçar as minhas imperfeições.

Trabalhei demais. Dormi de menos. Dramatizei demais. Pensei demais. Comi demais. Produzi de menos. Continuarei acreditando em mágica, sonhando com dias melhores e vivendo com borboletas no estômago por confiar que o amor vence tudo. Me proponho a acreditar mais em mim, me arrepender menos e acalmar mais o coração. Depois de um ano quieto, agora é hora de partir para um ano agitado. O tempo não para e agora eu também não.

Um abraço e um brinde aos 30, hoje deixo para trás as inconstâncias dos meus 20 anos e entro na casa dos 30 com a esperança de que a vida trará muitas surpresas boas daqui para frente.

Nanda

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