28 de novembro de 2017

Cartas Efêmeras #6 - Por onde a vida vai


Belo Horizonte, 28 de novembro de 2017
Queridos amigos,
Me assustei quando coloquei a data acima. Já estamos em novembro. Me lembro bem quando voltei a escrever em junho, dizendo sobre o quanto escrever me fazia bem e prometi escrever mais e mais. Como o tempo passa rápido, já são cinco meses sem cartas, sem palavras. Cinco meses que se passaram, mas não consegui escrever. As palavras que viam estavam vazias e a vida tem sido levada de modo automático. Eu tentei escrever sobre o amor, sobre as coincidências da vida, sobre a felicidade, sobre crescer, sobre o tempo. Mas tudo que eu escrevia saia melancólico demais e a sensação era de que alguém já havia escrito aquele texto por mim.
Estou cada vez mais quieta. 2016 foi um ano de muita felicidade e de muito medo. Foi ano que meu filho nasceu e o ano em que meu pai recebeu o diagnóstico do câncer. Fomos ganhando a luta e tudo estava bem até 2017 chegar. O câncer que parecia ter sumido reapareceu e agora está avançando pelo corpo. O primeiro tratamento não deu certo. A demora para começar o segundo. O homem forte que sempre segurou a minha mão e me ofertou seu colo tantas vezes agora está em cima de uma cama, precisando do meu colo. Entrei em luto pela inversão dos papéis. Entrei em luto pela perda que ainda não aconteceu. Eu queria meu pai feliz e saudável de volta. Meu filho é muito apegado ao avô e eu só queria poder ver os dois se curtindo, avô e neto, como manda o roteiro.
Mas então a gente descobre que a vida escreve o seu próprio roteiro, sem ensaios, sem tempo de preparo, sem perfeição. Estamos vivendo agora um dia de cada vez, um abraço apertado a cada reencontro, uma ligação todos os dias para ouvir a voz. Cada momento em que estamos juntos é mais uma memória construída. Temos dias bons e ruins. Estou aprendendo a lidar com esse roteiro que está sendo moldado em tempo real.
Um grande abraço, sempre saudoso, espero voltar com notícias melhores.





29 de junho de 2017

Felicidade nos detalhes


Encontrar, sem querer, alguém que você está com saudades.
Sair sem pressa.
Acordar com um belo café da manhã na cama.
Passar um fim de semana viajando.
Receber um elogio profissional de alguém que você admira.
Pizza.
Abraços.
Dia de sol quando você tem todo o dia programado em uma atividade ao ar livre.
Dormir com barulho de chuva.
Um final de semana inteiro para poder assistir seu seriado sem culpa.
Passar seu filme favorito na TV.
Uma declaração de amor.
Barulho da chuva antes de dormir.
Resultado de exame sem nenhuma alteração, a saúde continua de ferro.
Livros novos.
Gostar de um livro de um autor que você não conhecia e sair pesquisando tudo que ele já escreveu.
Uma tarde com amigos e família brindando a felicidade.
Banho quente depois de um dia puxado.
Achar dinheiro escondido na calça.
Receber de volta a carteira ou celular que você perdeu.
Filme, pipoca, friozinho, edredom e alguém juntinho para curtir tudo isso.
Mar, sol e uma cerveja gelada.
Acordar depois de um sonho ruim e perceber que era só um pesadelo.
Finalizar as pendências do dia com antecedência.
Beijos.
Árvores, montanhas e cachoeira.
Jantar a luz de velas, vinho e um bom papo.
Receber um dinheiro extra inesperadamente.
Chorar de rir.
Bacon.
Achar uma vaga de estacionamento livre assim que você chega no local.
Uma noite bem dormida.
Seu time fazer o último ponto nos últimos minutos da partida e garantindo a vitória.
Perder peso sem dieta.
Feriado prolongado.
Finalizar o semestre na faculdade.
Entregar um projeto no trabalho e ser elogiado.
Chocolate.
Quitar dívida.
Sua música preferida tocar no rádio assim que você o liga.
Café quentinho. Pão com manteiga. Queijo.
Frio na barriga quando você se lembra de alguém que você fez amor.
Primeiro dia de férias.

A rotina costuma nos tirar a percepção da felicidade que está nos pequenos detalhes, deixamos passar despercebidos aqueles pequenos momentos que nos trazem sentimentos bons, um conforto, um sorriso bobo ou simplesmente aquecem nosso coração. Não podemos deixar esse pequenos momentos que se tornam grandes na memória. 

23 de junho de 2017

É o caminho que importa


Entre o nascimento e a morte percorremos um grande caminho chamado vida, saber viver por esse caminho é o que importa.

É no caminho que a gente aprende que mesmo se o problema seja grande ou pequeno, sempre teremos o amanhã para tentar outra vez. Que os anos passam mais rápido do que a gente consegue acompanhar, e que cada ano novo traz alegria de um recomeço e o medo de não ter vivido o suficiente. Que a juventude é uma época muito boa, mas que envelhecer pode ser melhor ainda se a gente conseguiu aprender com os erros lá do começo.

É no caminho que a gente aprende que toda escolha gera mais dúvidas do que respostas. Que apesar de queremos ser tão diferentes, chega um momento em que ser igual é mais confortável. Que não precisamos estar presentes fisicamente para estar de fato perto. Que amor é algo que é construído todos os dias e não que acontece da noite para o dia. Que quando perdemos alguém, sentimos a morte se aproximando, mas a queremos ainda longe, pois ela está só no fim.

É no caminho que aprendemos que não adianta ter pressa para subir na vida, pois é aos poucos que as coisas vão dando certo. Que tomar alguns riscos compensam e que o mais difícil é saber avaliar previamente quais valem a pena. Que tudo que acontece muito rápido, também acaba rápido. Que viajar, conhecer outros países e culturas é fascinante, mas que não existe lugar melhor do mundo do que a própria casa.

É no caminho que aprendemos que algumas vontades podem ser incontroláveis, mas as consequências nunca falham. Que desperdiçar nosso tempo com pessoas e situações que não valem a pena é algo imperdoável. Que não precisamos muito para ser feliz, e que sim ser feliz pode ser uma escolha e não uma decorrência. Que estar perto de quem a gente ama faz o tempo passar mais rápido e quando estamos longe ele teima em desacelerar.

É no caminho que a gente aprende que tudo passa, seja o sorriso ou a dor, tudo passa. Que não vale a pena passar a vida se comparando aos outros, cada um vai percorrer esse caminho de forma diferente. Que para se viver em paz o segredo é ser verdadeiro consigo mesmo e lutar por aquilo que se acredita. Que não importa o momento, nunca é tarde para começos. Que temos medo de chegar ao fim da estrada, mas que todos vamos chegar lá, uns aproveitando mais e outros deixando passar despercebido. No fim, o que importa é como foi feito esse caminho e com quem o compartilhamos.

21 de junho de 2017

Deixe o amor se reinventar


Será que se existisse um botão de ligar e desligar os sentimentos, nós usaríamos indiscriminadamente? Quando um relacionamento acaba repentinamente e nós não conseguimos deixar para trás aquele amor, como fazemos para dar adeus? Como deixar de amar alguém? Com certeza esse botão mágico neste momento seria muito útil.

Quando terminamos porque não dava mais certo ou porque o momento não era o correto, ou até mesmo quando é a pessoa que nos diz não, mas o amor continua ali firme e forte, é como quando alguém quebra um objeto antigo que tem um valor sentimental muito forte. Não há como juntar todos os pedaços e refazer, não tem como ir em uma loja e comprar outro novo, só o que nos vai restar é a saudade e não há nada que possa substituir aquele objeto que tanto significava para você.

Ficar agarrado as lembranças do que foi vivido faz doer ainda mais a falta de quem antes estava sempre ali ao alcance. Talvez seja por isso que quando a gente termina com alguém acaba enchendo a agenda de compromissos. Acordar, dormir, trabalhar, sair com os amigos, academia, hobby novo... é melhor preencher cada segundo do tempo, para não ter que pensar em mais nada, em mais ninguém.

Mas a verdade sempre nos alcança, seja sentado tomando um café entre um intervalo e outro no trabalho, seja deitado na cama à noite sem dar conta de dormir, ouvindo apenas o som dos nossos pensamentos que insiste em lembrar dos detalhes mais bobos de quando a cama tinha de comportar dois. Tem dias que as caixas escondidas no fundo do armário parecem gritar chamando atenção e aquele último bilhete jogado na gaveta despretensiosamente parece se jogar na sua mão sem querer. Como faz para parar de sentir saudades? Como fazer o coração entender que o amor tem que acabar? Tem algum curso para aprender a não amar?

Apesar de toda a dor ainda existe um remédio infalível. O melhor remédio para dores que julgamos incuráveis: o tempo. Então eu indico aproveitar da melhor forma possível que podemos desse remédio tão valioso. Proponho que os dias não sejam vividos debaixo das cobertas, chorando por um passado que foi bom, mas não tem volta. O mundo não acabou, é chegada a hora de levantar da cama, arrumar a casa, a alma e o coração, pois há tanto para ser vivido, há tanto ainda o que se fazer.

Não quero que você esqueça dos momentos felizes a dois, nem que finja que esse passado não existiu. Nada disso. As melhores histórias se tornam eternas dentro de nós. Mas toda história também deixa uma bagagem enorme e se não soubermos jogar fora aquilo que não precisamos carregar, então vamos criar uma bagunça enorme, quase enlouquecedora.

Então vamos parar de se apegar no que foi e no que poderia ter sido. As fotos, os vídeos, os bilhetes e a velha nostalgia, isso não já é mais uma realidade. Vamos parar de se agarrar a essa saudade.

Vamos combinar de mandar a tristeza embora, que ela tenha sua última noite ao seu lado. Cada um pode escolher o seu ritual, junte com seus amigos ou fique sozinho, tome um pileque ou chore se doer, guarde todas as lembranças ou jogue fora. Mas vá firme, que no amanhecer do próximo dia essa dor vai ficar para trás. Desapegue e deixe a saudade ir embora, com todas as suas forças abra espaço para coisas boas chegarem.

Se não hoje, talvez amanhã, a gente aprende a não deixar de amar, e vai permitindo deixar o amor se reinventar e é aí que um novo alguém vai chegar.




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